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'Sabei que os filósofos, por previdência',
escrevia o misterioso Basílio Valentim, ' escreveram várias
coisas como o fim de que os ignorantes, que apenas queriam ouro
ou prata, não abusassem...' Ora, existe uma concepção puramente
mística da alquimia, segundo a qual as frases sucessivas da
preparação da Pedra Filosofal, as operações 'químicas',
descrevem na realidade as sucessivas purificações do ser humano
na sua procurado conhecimento esclarecido.
'Nem todos os alquimistas', escreve um dos
maiores escritores da Maçonaria moderna, O. Wirth, 'se deixavam
enganar pelos seus símbolos. Chumbo significava para eles
vulgaridade, pesadez, falta de inteligência e Ouro precisamente
o contrário. Iniciados, desinteressavam-se dos bens perecíveis,
dos metais ordinários que fascinam os profanos. Referiam tudo ao
homem, que é perceptível, e em quem o chumbo é realmente
transmutável em ouro'.
O simbolismo alquímico não se aplica pois, à
matéria, mas às operações espirituais. As imagens representam a
evolução do ser interior. A matéria sobre a qual é preciso
trabalhar, é o próprio homem: 'Tu és a própria matéria da Grande
Obra' (Grillot de Givry) e a Pedra Filosofal designa o fim da
iniciação: o homem transformado. A alquimia não é senão a
purificação do ser, que tornará o homem capaz de alcançar o
supremo conhecimento: o homem que, renunciando a toda a
sensualidade e obedecendo cegamente à vontade de Deus, chegou a
participar da ação que as inteligências celestes exercem, já
possui por isso a Pedra Filosofal; jamais lhe faltará nada,
todas as criaturas da Terra e todas as forças do Céu lhe estão
submetidas'.
O 'Mercúrio Filosófico' é ao mesmo tempo o
princípio da vida universal da Natureza e o da redenção pela
ascece. A própria teoria do homunculus tem um sentido oculto: é
um símbolo do nosso novo nascimento, da ressurreição espiritual
do homem pela iniciação; da mesma forma que muitos organismos
vivos parecem nascer de matéria em putrefação, da mesma forma o
homem é capaz de se elevar da sua corrupção habitual.
Extraído do
livro: 'A Alquimia' de Serge Hutin |