|
Na alquimia, a doutrina do amor desempenha um
papel essencial. Sendo em extremo perigoso o caminho da ascese
solitária, o alquimista praticará mais freqüentemente esse
caminho a dois, como o casal alquímico, no sentido humano o
termo. A história de Nicolas Flamel e de Dame Pernelle, sua
esposa, ilustra perfeitamente bem esta prática concreta do
casamento alquímico; está no mesmo plano da união de Jacques
Coeur, outro célebre adepto dos fins da Idade Média, com sua
esposa ternamente amada. A menos que queira seguir o caminho da
ascese solitária (como foi o caso dos monges alquimistas), o
alquimista deverá ter, portanto, uma companheira de caminhada, a
qual será uma criatura que lhe será predestinada por Deus (além
de ela ter recebido antes uma iniciação especial).
|
 |
Não devemos deixar de estabelecer a diferença
existente entre o caso muito freqüente em que a companheira do
alquimista se limita a compreendê-lo e a ajudá-lo em seus
trabalhos (ainda que neste casal reine a discórdia, ou um dos
dois se comporte como um tirano que quer impor ao outro os seus
interesses e paixões que não são as suas) e, por outro lado, o
caso, infinitamente raro em que o adepto e seu par formem um
casal alquímico predestinado, onde se encontram as duas metades
do ser único (o andrógino primordial, dividido por ocasião da
queda original que provocou o aparecimento da matéria grosseira
que elas formavam.
|
Nesse nível da formação de um casal perfeito,
o que reuniu duas criaturas magicamente predestinadas uma a
outra desde toda a eternidade, descobriríamos o completo
analogismo da alquimia ocidental com relação à via oriental
tântrica chamada de 'esquerda', a que comporta a realização
efetiva de um casal mágico.
Raras, muito raras mesmo - infelizmente - são
as criaturas, homens ou mulheres, capazes de encontrar assim o
verdadeiro duplo mágico, sua perfeita complementaridade, pouco
numerosos mesmo são aqueles que, na falta da verdadeira metade
(no sentido absoluto do termo) poderão, quando muito, unir-se a
um ser magicamente apto e formado para completá-lo. Mas essa tão
grande raridade de êxito a dois implicaria, acaso, uma
impossibilidade natural?
|
 |
Precisemos - pois é necessário - que o
fato de um casal conseguir realizar a união mágica
predestinada operará, simultaneamente, em cada um dos
amantes predestinados o bom êxito das núpcias interiores
entre as duas polaridades cósmicas que existem em cada homem
e em cada mulher: Assim se cria o Egregoro tântrico
heptagonal, do qual decorrem a realização interior, a
harmonização perfeita e a Unidade total com as sete forças
que animam a Felicidade universal'. |
|
Felizmente, acontece que duas criaturas
predestinadas podem encontrar-se, mesmo depois de sua primeira
juventude, e comumente em condições que parecem bem mais
paradoxais, mas que eles precisarão agarrar.
Extraído do livro:
'A Tradição alquímica' |